Preâmbulo

A origem da Sociedade Portuguesa de Botânica (SPBotânica) está fortemente ligada à dinâmica que se gerou durante os cursos de ‘Flora e Vegetação Mediterrânica’, nos aspectos de partilha dos conhecimentos e da transmissão dos processos para a descoberta botânica, ligado por um espírito de camaradagem e gosto comum. Embora a SPBotânica possa com o tempo evoluir em várias direcções, consoante as afinidades e sensibilidades das pessoas que venham a integrá-la, a formação e mais concretamente a formação científica deve vir a ser uma das bases comuns dos seus membros.

A formação científica caracteriza-se por um conjunto de atitudes, processos e métodos que contribuem para o desenvolvimento intelectual e reflectivo. Pretende-se desenvolver o espírito crítico, o que implica uma atitude activa da parte das pessoas envolvidas. Neste aspecto, as Floras e as chaves de identificação são ferramentas excelentes para esta formação, independentemente do nível e dos conhecimentos académicos do utilizador, dado que obrigam à aplicação da reflexão crítica passo a passo.

A simplificação necessária à divulgação científica incorre, por vezes, no risco de empobrecer a informação que se pretende transmitir; é o que acontece no conceito de entretenimento ligado ao aspecto lúdico da ciência, dando-lhe uma percepção consumista e passiva. Pretende-se que as actividades da associação desenvolvidas no âmbito da divulgação mantenham o rigor metodológico da abordagem e da formação científica, independentemente da idade ou formação cultural do público a que são destinadas.

Uma das premissas da abordagem científica é saber formular claramente as questões e os problemas com que nos iremos deparar. Pretende-se passar da fase de intuição dos conhecimentos (muitas vezes é aqui que se situa o entusiasmo que as pessoas têm por um tema, no nosso caso, para a Botânica ou, em geral, para a Natureza) para a fase de dedução onde se aplica o raciocínio lógico, a análise e o discernimento.

A abordagem científica baseia-se no desenvolvimento e na aplicação da reflexão crítica. O princípio do espírito crítico ou do livre exame tem como base a independência da razão e do raciocínio, e é contrário às ideias preconcebidas, aos dogmas e aos argumentos de autoridade. Deste modo a formação do espírito crítico e científico enriquece o conhecimento pessoal e contribui para a formação de cidadãos responsáveis e participativos dado que não se aplica unicamente ao conhecimento da Botânica mas pode ser aplicado em qualquer circunstância.

Considerando os pontos acima referidos, a associação baseia a sua organização na autonomia e na solidariedade. O seu funcionamento decorrerá segundo um processo democrático, apolítico e sem afinidades dogmáticas.

Comments are closed